01.10.2018

À conversa com Eng.º António Sousa

01.10.2018

À conversa com Eng.º António Sousa

‘A Brisa deixou de ver as infraestruturas apenas como um canal que recebe veículos e centrou-se nas pessoas, […] no universo global da mobilidade, e já está presente noutros segmentos da cadeia.’

Eng.º António Sousa, fale-nos um pouco do seu percurso profissional. Como chegou à administração da Brisa?

Eu sou engenheiro civil, de formação, e comecei pelos projectos, na Consulplano, depois de me formar em estruturas, que foi a minha especialidade. Aí estive dois anos e depois transitei para a Junta Autónoma das Estradas. Deixei os projectos e comecei a fazer um pouco de tudo, mas do lado da administração pública. Entre a sede em Almada, trabalhar na direcção de estradas do distrito de Beja, e voltar para a sede, passaram 17 anos. Acabei como director de serviços e esse foi um percurso que me orgulhou e onde aprendi muito. Já tinha 40 anos quando surgiu a oportunidade de vir para o sector privado, para a Brisa e para o cargo de Director Geral Técnico. Decidi aceitar esse desafio, porque acho que as mudanças são positivas e, na altura, essa mudança fazia sentido na minha vida. Também houve mudanças pelo meio, houve uma experiência de 4 anos fora do país que foi muito desafiante. Foi no seguimento dessa experiência que fui convidado para a administração da Brisa, onde me mantenho passados 10 anos.

A Brisa é uma empresa que tem vindo sempre a inovar. E o mundo da mobilidade está em constante mudança. Como descreveria a evolução da empresa?

Entrei para a empresa em 1999, numa fase de grande crescimento, de construção de infra-estruturas que eram absolutamente necessárias para o país. Nessa altura, a Brisa estava praticamente sozinha, não havia outras concessionárias. Dez anos depois de eu ter entrado, a rede ficou praticamente concluída. Esta última década representou também uma mudança muito importante, que acho que a Brisa tem sabido fazer. Por um lado, ultrapassou a fase de não ter construção e focou-se na operação, ao nível das portagens e da manutenção das vias. Por outro, acompanhou a evolução na questão da mobilidade. Deixou de ver as infra-estruturas apenas como um canal que recebe os veículos e centrou-se nas pessoas. A Brisa tem feito o caminho de se posicionar nesse universo global da mobilidade e já está presente noutros segmentos dessa cadeia, principalmente através da Via Verde. Sem esquecer também o papel da inovação que representa neste universo, ao nível da facilidade da operação e das ferramentas para gerir melhor as infra-estruturas.

Estão cumpridos os objectivos da diminuição das assimetrias das diferentes regiões? Quais os principais desafios para o futuro?

Em Portugal sim, claramente. Haverá um trecho ou outro com alguma razão de queixa mas hoje temos uma rede de qualidade e o desafio é saber mantê-la. Tal como tudo, as infra-estruturas envelhecem, e por isso temos na Brisa um grande projecto de Gestão de Activos para gerir bem a vida útil da nossa rede. Nos primeiros anos investimos muito dinheiro na construção das infra-estruturas. As pessoas às vezes perguntam “porque é que é preciso pagar portagens?”. A verdade é que, para além desse passivo do investimento inicial, agora temos a questão da manutenção, que também consome quantias apreciáveis. Dos pavimentos, às obras de arte, tudo requer manutenção e tem de estar em estados mais do que aceitáveis, sobretudo ao nível da segurança mas também da comodidade. Num parque de infra-estruturas tão grande como o da Brisa, é um desafio enorme saber tomar conta disto, com qualidade e custos controlados, daí a grande importância do projecto de Gestão de Activos.

A Betar trabalha com a Brisa há mais de 35 anos, tendo elaborado muitos projectos de engenharia – desde o princípio da A1 – e há mais de 10 anos que está na Gestão de Activos – com o GOA. O que é que procuram nas empresas que trabalham convosco?

A Betar é um parceiro de longa data. Nesta questão da Gestão de Activos temos vindo a conversar porque a Betar é incontornável nesta área. Fizemos um upgrade do GOA e estamos a envolver a Betar noutras questões relativas ao cadastro. E haverá muitas mais coisas a fazer. A Gestão de Activos nos projectos de infra-estruturas rodoviárias não é uma coisa que esteja muito avançada, comparativamente com outras indústrias, e, portanto, há aqui um caminho de aprendizagem a percorrer, entre todos. Houve outras indústrias que, sobretudo devido a situações de colapso, tiveram de andar mais depressa na procura de soluções, como a rede ferroviária e as de energia. Na rede rodoviária temos de ser nós, com os parceiros, a encontrar as melhores soluções para esta gestão. O episódio recente da ponte em Génova mostra-nos que temos de estar muito atentos a tudo.

A Betar tem também procurado, e conseguido, fazer investigação e inovação, tal como a Brisa. Como vê a colaboração da Betar com a Brisa no futuro?

A nossa colaboração com a Betar vai manter-se e provavelmente aprofundar-se porque sentimos que a Betar é dos que estão mais à frente nesta área. Tem produtos que chegam a quase todo o mercado em Portugal, e não só, e procura sempre inová-los. Temos essa experiência já, portanto de certeza que vamos contar com a Betar para futuros envolvimentos no âmbito dos nossos projectos. Estamos na mesma linha, pensamos da mesma forma.

Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #101, de Outubro de 2018

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