01.06.2023

À conversa com Engº Pedro Araújo

01.06.2023

À conversa com Engº Pedro Araújo

'A sociedade está a mudar a uma velocidade vertiginosa [...] Todas estas mudanças impactam no setor das infraestruturas e mobilidade. Os desafios são grandes [...] por isso temos apostado na inovação, não só incremental, mas também disruptiva'

Fale-nos da sua formação e de como iniciou o seu percurso profissional.

Sou licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Em 2007 iniciei o meu percurso profissional na Soares da Costa. Em final de 2009 passei a integrar a equipa que estava a desenvolver a Subconcessão Autoestrada Transmontana. Em 2012, dentro do projeto da Transmontana, deixei a construtora e passei para a equipa da Subconcessionária, como Chefe de Operações. Em 2015, fui promovido a Diretor Técnico e de Exploração e, em 2017, na sequência da aquisição da maioria do capital da Subconcessionária pela Globalvia, passei para a posição de Diretor Geral. Em setembro de 2021, fui convidado pela Globalvia a mudar-me para Madrid e assumir a função de Diretor de Operações, função que ocupo no presente.

Cruzou-se com a BETAR na altura da Autoestrada Transmontana. Como foi a experiência?

A Betar é uma empresa de referência e a minha experiência não podia ter sido melhor. Desde logo pela qualidade da equipa técnica envolvida nos trabalhos que realizámos em conjunto, mas sobretudo pela disponibilidade para ajudar e estudar novas iniciativas e soluções para os diversos desafios e problemas.

Como se define a Globalvia?

A Globalvia é uma empresa líder na gestão de infraestruturas que opera em 11 países, principalmente em infraestruturas rodoviárias (em Portugal, além da Transmontana, gerimos a Concessão da Beira Interior) e ferroviárias (em Espanha gerimos os Trans de Barcelona ou o Metro de Sevilha). A empresa realizou em 2022 dois investimentos muito relevantes para o futuro: aquisição de uma participação na Iryo (operador de alta velocidade em Espanha) e a compra da Go-Ahead, que é uma marca de referência mundial no transporte público.

Quais as principais responsabilidades do seu cargo?

Sou responsável pela supervisão de todas as operações a nível global do Grupo Globalvia, dando suporte às Direções de Negócio no seguimento das atividades, promovendo a implementação de melhores práticas e apoiando o cumprimento dos planos de exploração existentes. Outra função relevante é o apoio ao desenvolvimento de negócio. O departamento de operações que dirijo é responsável pelas due diligences técnicas dos projetos de investimento que são analisados na empresa. Esta posição global é um enorme desafio, porque temos realidades culturais e contratuais muito distintas dentro do nosso portfolio de ativos, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade de contribuir para a implementação do nosso Globalvia way, a nossa forma de fazer as coisas, a nossa cultura e estratégia globais.

Quais são os principais desafios que a empresa enfrenta?

A sociedade está a mudar a uma velocidade vertiginosa em termos tecnológicos, nos padrões de mobilidade e nos meios de transporte. Todas estas mudanças impactam no setor das infraestruturas e mobilidade. Por isso, os desafios são grandes mas, ao mesmo tempo, são oportunidades de crescer. Sabemos que a forma como desenvolvemos o nosso negócio vai mudar e é por isso que temos apostado fortemente na inovação, não só incremental, mas também disruptiva. Adicionalmente, numa fase em que algumas das nossas concessões estão a terminar, este investimento na inovação dá-nos confiança para continuar a acrescentar valor ao negócio atual e, com isso, conseguir apresentar aos nossos concedentes propostas diferenciadas para melhorar as infraestruturas existentes e prestar um melhor serviço público aos nossos utilizadores.

Como salvaguardam uma atividade sustentável?
A Sustentabilidade é uma diretriz e objetivo claro dos nossos acionistas e a Globalvia é líder em sustentabilidade e ESG no ranking GRESB no setor das infraestruturas há 3 anos consecutivos.
Para este efeito, existe uma grande coordenação e alinhamento de vários departamentos dentro da empresa, corporativos e das unidades de negócio, que, imbuídos das diretrizes definidas, implementam as ações localmente em função das condicionantes de cada geografia e contrato.

Encontra muitas diferenças entre o trabalho em Espanha e em Portugal?

A Globalvia, sendo uma empresa com tantas operações diferentes em diversos países, tem a sua sede em Madrid mas tem uma forma de trabalhar global. É uma empresa do mundo e para o mundo. Por isso não notei muitas diferenças. No entanto, é verdade que existe uma cultura de trabalho diferente entre Portugal e Espanha mas, sendo a Globalvia um mix de muitas culturas, estas diferenças são também uma diferenciação da empresa, pela diversidade de pessoas que tem, que aportam um valor acrescentado na gestão.

Quais as suas perspetivas para o futuro?

No futuro espero continuar a crescer, como pessoa e como profissional, melhorando e aprendendo continuamente, porque entendo que é desta forma que nos preparamos para os desafios que nos esperam e, acima de tudo, considero que o desenvolvimento e a melhoria contínua do indivíduo, pessoal e profissionalmente, são condições vitais para construir uma empresa e uma sociedade cada vez melhores.

Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #153, de Junho de 2023 

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