12.03.2023

À conversa com Arqº Pedro Ricciardi

12.03.2023

À conversa com Arqº Pedro Ricciardi

'O atelier tem como filosofia a criação de espaços [...] funcionais e intemporais. Cada projeto é único e diferente, sem fórmulas definidas. Um contínuo exercício de descoberta, em busca de soluções criativas'

Gostaria que começasse por falar do início do seu percurso. Porque decidiu seguir arquitetura e como foi o início da atividade?

O fascínio pelo mundo da Arquitetura foi algo que nasceu muito cedo na minha vida, especialmente pela vontade de criar espaços que possam impactar a vida das pessoas. A escolha da profissão foi clara e natural. No 4 ano do curso de Arquitetura, fui convidado pelo Arq. Carlos Lampreia (meu professor do ano anterior da disciplina de Projeto) para estagiar no seu escritório. Foi uma experiência muito gratificante porque tive a oportunidade de lidar com o lado real da profissão. Assim que me formei tive o privilégio de trabalhar no atelier do Arq. João Luís Carrilho da Graça, onde pude colaborar em projetos marcantes, aprendendo com a sua abordagem técnica e estética. O início da minha atividade foi pautado por um forte compromisso com a qualidade do projeto e uma abordagem humanista, sempre focado em encontrar soluções criativas e inovadoras para cada desafio apresentado.

Entre 2013 e 2016 liderou uma equipa no escritório do arq. Isay Weinfeld, em São Paulo, no Brasil. O que obteve com essa experiência?

Quando iniciei atividade no seu escritório fui integrado na equipa de criação e com o evoluir do trabalho acabei por liderar uma equipa de Arquitetos que se dedicava aos projetos internacionais. Trabalhar com o Arquiteto Isay Weinfeld foi experiência muito enriquecedora. Permitiu-me trabalhar em projetos de grande escala e complexidade, espalhados pelo Mundo (em especial EUA) com contextos culturais e profissionais diferentes. Durante este período tive o privilégio de trabalhar diretamente com o Arquiteto Isay Weinfeld e descobrir uma nova abordagem e visão da Arquitetura, desenvolvendo soluções técnicas e criativas inovadoras.

Daí até ser convidado a coordenar uma equipa no novo escritório do mesmo arquiteto em Nova Iorque foi um pequeno salto. Esteve nos EUA entre 2016 e 2019. O que foi mais aliciante?

O convite para abrir esse escritório surgiu pela necessidade de apoiar vários projetos em construção e outros em desenvolvimento em Nova Iorque, nos quais eu já era responsável em São Paulo. A minha ida para Nova Iorque para coordenar uma equipa no novo escritório foi uma oportunidade única para crescer a nível profissional e pessoal. Inicialmente, o projeto apresentava grandes desafios em termos de gestão de equipa e coordenação de projetos à distância. No entanto, a colaboração com profissionais de diferentes nacionalidades e a possibilidade de trabalhar em projetos de grande escala e relevância global foram muito motivadores.

O que lhe trouxe a experiência internacional? Quais as principais diferenças entre o Brasil e os EUA?

A experiência internacional trouxe-me uma visão mais ampla, permitindo-me absorver novas formas de ver e desenvolver Arquitetura. Existem de facto diferenças claras na atividade de projeto e construção entre o Brasil e os EUA. Uma das razões que o escritório foi convidado para fazer projetos em NY foi no sentido de ter uma abordagem diferente no contexto urbano que estávamos a intervir, desenvolvendo projetos com a vontade de criar algo excecional e inovador. Todos os projetos desenvolvidos fora do Brasil eram sempre acompanhados por Arquitetos locais. Estes tinham como objetivo dar suporte durante todas as etapas de projeto, integrando no mesmo soluções técnicas e construtivas adequadas aos padrões de construção da cidade.

Em 2019 decide regressar a Portugal e fundar o seu próprio atelier em Lisboa. O que o levou a tomar essa decisão? Em que consiste a filosofia do atelier?

O regresso a Portugal e a criação do meu próprio atelier em Lisboa foi motivado pelo desejo de aplicar a minha experiência e conhecimento na conceção de novos projetos. Apesar de estar envolvido em projetos incríveis, tinha chegado o momento de criar o meu próprio espaço onde pudesse desenvolver a minha abordagem à Arquitetura, e criar a minha identidade como Arquiteto.

O atelier tem como filosofia a criação de espaços que sejam ao mesmo tempo funcionais e intemporais. Cada projeto é único e diferente, sem fórmulas definidas. Um contínuo exercício de descoberta, sempre em busca de novas soluções criativas. A inserção urbana e a forma como os projetos se integram na paisagem tem um papel fundamental na nossa Arquitetura.

Acreditamos que a Arquitetura deve ser vista como um todo, desde a conceção até à fase de construção, e que cada projeto deve ser desenvolvido em estreita colaboração com o cliente, para que possamos entender as suas necessidades e desejos.

Que perspetivas tem para o futuro?

É intenção do atelier continuar a crescer enquanto escritório e desenvolver projetos em Portugal e além-fronteiras. Pretendemos manter a nossa filosofia de trabalho, sempre com um elevado nível de qualidade em todos os projetos que desenvolvemos. Queremos continuar a trabalhar em projetos que sejam desafiantes e que permitam a aplicação de soluções inovadoras e criativas. Acreditamos que, através da nossa abordagem personalizada e da nossa visão estratégica, podemos fazer a diferença na vida das pessoas e contribuir para o desenvolvimento de uma arquitetura mais sustentável e consciente.

Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #150, de Março de 2023 

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