À conversa com o Nigel Hallowes
À conversa com o Nigel Hallowes
'Na Kudumba trabalhamos para que cada site seja funcional e eficiente (…) com o objetivo de oferecer operações [de controlo aduaneiro] seguras, sustentáveis e de alto desempenho'
Como surgiu a Kudumba Investments? E que é uma concessionária de serviços de Inspeção Não Intrusiva?
A Kudumba nasceu com um objetivo claro: modernizar e fortalecer o controlo aduaneiro em Moçambique, garantindo que mercadorias e veículos são inspecionados de forma rápida, segura e sustentável. Desde 2006, apostamos em tecnologia de ponta, equipas altamente formadas e parcerias estratégicas para alcançar esse objetivo, sempre com o foco em reduzir riscos e facilitar o comércio legítimo.
Uma concessionária de serviços de Inspeção Não Intrusiva implementa, gere e mantém sistemas que permitem inspecionar cargas e veículos sem abertura física, minimizando atrasos e riscos e aumentando a eficácia do controlo. No caso da Kudumba, trabalhamos para que cada site seja funcional e eficiente, envolvendo equipas multidisciplinares, da engenharia à manutenção, com o objetivo de oferecer operações seguras, sustentáveis e de alto desempenho. Criamos infraestruturas resilientes, adaptadas à geografia e às condições ambientais de Moçambique.
Desenvolvem a vossa atividade em Instalações Governamentais, Portos, Aeroportos, Fronteiras Terrestres, Marítimas, Aéreas e Fluviais. Quais são os principais desafios?
O maior desafio é adaptar cada projeto às condições geográficas e climáticas do local. Em Moçambique, por exemplo, recorremos a soluções como painéis fotovoltaicos para produção de energia, captação de água através de furos hertzianos e sistemas de proteção contra descargas atmosféricas, garantindo eficiência operacional e menor impacto ambiental. Além disso, garantimos que as construções sejam resilientes, usando materiais de alto desempenho preparados para ambientes exigentes. Tudo isto é suportado por equipas técnicas locais estrategicamente posicionadas em Maputo, Beira, Nacala e outras regiões, prontas para intervir a qualquer momento.
A MZ Betar realizou o projeto para os vossos centros de inspeção de camiões nas fronteiras de Moçambique. Como avalia a parceria?
O trabalho com a MZ Betar foi essencial para garantir que os nossos centros de inspeção de camiões nas fronteiras fossem muito mais do que espaços funcionais, fossem verdadeiras soluções integradas. Desde a fase de conceção, trabalhámos em conjunto com os engenheiros da Betar e com os nossos departamentos internos (manutenção, tecnologias de informação, segurança, financeiro e operações) para desenvolver estruturas adaptadas a cada localização. Essa parceria resultou em sites sustentáveis, tecnologicamente avançados e perfeitamente alinhados com as exigências operacionais do nosso modelo de inspeção não intrusiva. Para além disso, existe todo um processo conjunto, entre a equipa projetista MZ Betar e a Kudumba, de “lessons learned” que permitem o melhoramento continuo dos sites já construídos e o aperfeiçoamento dos que se encontram em fase de dimensionamento.
Qual tem sido o impacto da Kudumba nas comunidades locais?
O impacto é visível em várias frentes: geramos emprego local, formámos mais de 5.200 oficiais em operação de sistemas, análise de imagens e protocolos de segurança, e garantimos que a experiência prática se traduz em proteção real das fronteiras. Além disso, a colaboração com o Governo de Moçambique, no âmbito de uma parceria público-privada, reforça a capacidade de fiscalização aduaneira, permitindo intervir rapidamente em casos de ilícitos e manter o comércio legítimo fluído. Para além de fornecer tecnologia e infraestruturas de ponta, a empresa aposta em processos de melhoria contínua e numa rede técnica estratégica, com equipas posicionadas em Maputo, Beira, Nacala e outras regiões. Com uma taxa de 98% de uptime e cobertura 24/7, estas equipas asseguram que qualquer necessidade operacional é resolvida rapidamente, minimizando o tempo de inatividade e maximizando a proteção.
Numa das nossas operações fronteiriças, conseguimos identificar e deter uma carga ilícita de grande valor, sem interromper o fluxo normal de veículos. Este exemplo reflete o objetivo da Kudumba: reforçar a segurança sem comprometer a eficiência.
A Kudumba Investments é membro do Pacto Global das Nações Unidas. Qual é a importância deste compromisso?
Para nós, não se trata apenas de cumprir requisitos, mas de viver os princípios no dia a dia: respeito pelos direitos humanos, padrões de trabalho justos, práticas ambientais responsáveis e combate à corrupção. É um compromisso com a integridade, a sustentabilidade e o desenvolvimento. Com 11 sites de inspeção em funcionamento e outros em construção, a Kudumba continua a expandir a sua rede e a investir em inovação, consolidando o seu papel como parceiro estratégico no reforço da segurança e no desenvolvimento sustentável de Moçambique.
Quais são os próximos passos para a Kudumba?
O futuro passa por inovação e expansão. Estamos a estudar a aplicação de inteligência artificial para otimizar a análise de imagens e deteção de padrões suspeitos, o que permitirá uma resposta mais rápida a ameaças, bem como a expansão da rede de sites para outros pontos estratégicos no país e, potencialmente, para além-fronteiras.
Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #180, de setembro de 2025
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