05.10.2022

À conversa com treinador Jaime Langa

05.10.2022

À conversa com treinador Jaime Langa

'O desporto constitui um factor de inserção, igualdade, participação na vida social, aceitação das diferenças e respeito pelas regras. O rugby em particular é um jogo que exige muito esses factores'

Como nasceu o Maputo Rugby Clube e como qualifica o envolvimento da BETAR no projeto?

O Maputo Rugby Club teve início em Setembro de 2012, por iniciativa de Tiago Mendonça, Carlos Schmidt Quadros, Filipa Fernandes Thomaz, Isabelinha Sousa, Frederique Hanotier, Louis Leimgruber, Julien Bens, Deytieux Gaetan, Ronald Jordan e, depois, Henrique Caleia Henriques, Pedro Silva e Alexandre Marques, tendo em vista o desenvolvimento da modalidade em Moçambique. A ideia surgiu porque o filho do Tiago Mendonça, Afonso, praticava rugby em Lisboa, e em Maputo a modalidade não existia. Juntaram-se alguns amigos e esse gesto foi o primeiro passo para o nascimento do Maputo Rugby Clube e do rugby em Moçambique. Depois criaram-se competições internas, entre escolas, e alguns intercâmbios com a República Sul Africana. A BETAR tem sido o nosso maior e melhor parceiro. É o principal vector para o desenvolvimento e expansão do rugby em Moçambique e, com o seu apoio e de outros parceiros, temos levado o rugby a outras províncias e até já demos os primeiros passos em jogos e torneios internacionais, como o torneio com a equipa inglesa, Belsize Park Rugby Clube, e o intercambio Maputo Rugby Clube e Eswatini Chithers Rugby Clube.

Pretendem formar equipas mas também pessoas. Fale-nos da vertente social.

O desporto constitui um factor de inserção, igualdade, participação na vida social, aceitação das diferenças e respeito pelas regras. O rugby em particular é um jogo que exige muito esses factores. Gera valores importantes como o espírito de equipa, a solidariedade, a tolerância e o fair play, contribuindo para o desenvolvimento e realização pessoais e promovendo uma cidadania activa. Os principais valores são Integridade, Respeito, Solidariedade, Paixão e Disciplina. Pretendemos formar jovens, física e intelectualmente. Mais do que ensinar rugby, pretende-se criar verdadeiros desportistas. O rugby não se esgota na sua vertente físico-motora, tem uma valiosa vertente na aquisição de valores éticos e de competências de desenvolvimento pessoal (psíquico e de personalidade) e social (competências de organização). Enquanto modalidade colectiva, privilegia o jogo em equipa, o companheirismo e a amizade, bem como a partilha, a responsabilidade, a sinceridade e a lealdade para com os pares. O respeito pela segurança e integridade física do adversário é também um valor essencial, assim como o respeito pelas leis do jogo, pelo público e pela equipa de arbitragem. A vitória tem de ser alcançada de acordo com os mais salutares elementos da competição, consubstanciando a modalidade como uma autêntica escola de vida que muita utilidade trará, no futuro, aos praticantes.

De que forma o clube tem ajudado a suprir necessidades da sociedade? Quer partilhar alguma história de sucesso?

O desporto é uma das melhores formas de unir pessoas e desenvolver bons princípios. “Coragem dedicação e conquista” são palavras-chave que o clube adoptou para incentivar os jogadores. Temos alguns atletas que estão em zonas onde o consumo de drogas e álcool é muito comum e o rugby tem sido um bom refúgio para jogadores e treinadores. Temos tido um bom feedback dos pais e encarregados de educação pelo que temos realizado nas comunidades e bairros. O clube ajuda os jogadores, treinadores e dirigentes, através dos seus parceiros, a suportar as despesas da formação académica e, no caso dos mais novos, tem dados aulas de explicação. Temos várias situações onde o clube ajudou a trilhar o caminho certo. Tivemos um grupo de jogadores, por exemplo, onde todos necessitavam de acompanhamento e o clube ajudou-os a frequentar escolas públicas onde os horários eram compatíveis com os dos treinos, e assim não prejudicavam nem a componente desportiva nem a evolução académica. Concluíram o 10º ano. Desse grupo destaca-se o Abdul Ozias Bila que, com todo o empenho, esforço e o apoio que teve do clube, da BETAR e de outros parceiros, é actualmente responsável pelo clube de Khongolote, frequenta o 3º ano de Faculdade na Escola Superior de Ciência de Desporto, é um dos coordenadores principais da Federação Moçambicana de Rugby e ainda responde pela área de formação dos árbitros. A minha maior preocupação é que estes jovens e adolescentes apliquem os valores de que falámos, durante o jogo e na sua vida quotidiana.

Pode fazer o balanço destes 10 anos?

O balaço é positivo. Em 10 anos o rugby está em toda a cidade de Maputo, nos bairros, nas escolas públicas e privadas, e já se faz sentir em vários cantos do país. Todos os treinadores que são hoje responsáveis de clubes foram jogadores e treinadores do Maputo Rugby Clube e conseguiram formar clubes para aumentar a competitividade. O rugby já participou em duas edições do Festival Nacional de Jogos Desportivos Escolares, em Gaza e em Manica; foi integrado nas instituições de ensino de educação física e desporto; participou no Festival Nacional do Desporto Escolar, como modalidade demonstrativa; e esperamos que o rugby moçambicano participe em competições reconhecidas pela Rugby Afrique, que é a instituição que tutela a modalidade em África e que, depois, possa ser filiado na World Rugby.

Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #145, de Outubro de 2022 

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