04.03.2026

À conversa com Eng.º Paulo Barreto

04.03.2026

À conversa com Eng.º Paulo Barreto

'Embora 2026 esteja a ser um ano particularmente extremo em termos de condições climatéricas, trabalhamos permanentemente para antecipar cenários e reforçar a resiliência da infraestrutura. (…) com o objetivo de assegurar a segurança e a continuidade do serviço na A24'

Atualmente é Diretor Geral da Egis em Portugal. Fale-nos um pouco do seu percurso profissional e das atividades da Egis na operação e manutenção da A24.

A minha formação de base é em Engenharia Civil, área na qual iniciei o meu percurso profissional. Com o evoluir da carreira, desenvolvi um interesse crescente pela gestão, tendo posteriormente complementado a minha formação nesse domínio. Desde 2022 exerço funções como Diretor Geral da Egis Road Operation Portugal, sendo responsável pela gestão das atividades do Grupo Egis no país e pelo apoio a diversos projetos internacionais.

As nossas principais atividades na A24 incluem a operação – que abrange o centro de controlo de tráfego e o patrulhamento -, a manutenção de rotina, a realização de inspeções e o apoio técnico especializado à Concessionária Norscut. Esta parceria, que se mantém desde o início da Concessão, tem sido fundamental para garantir a qualidade e a segurança desta infraestrutura essencial para as populações do Interior Norte.

Para além da manutenção das infraestruturas e gestão dos ativos da A24, a EGIS também desenvolve projetos no âmbito da implementação de soluções de energias renováveis. Pode falar-nos disso?

A sustentabilidade é um dos princípios fundamentais da Egis. Uma das formas de materializar este compromisso é através da aposta consistente em energias renováveis. A A24 foi pioneira, em Portugal, na instalação de painéis fotovoltaicos associados a autoestradas, não apenas nos edifícios de apoio à operação e manutenção, mas também nos próprios túneis — projetos desenvolvidos em estreita colaboração com a Norscut. Para além destas iniciativas na A24, a Egis tem outras instalações de produção e venda de energia solar no centro de Portugal.

No âmbito da sustentabilidade, destacam‑se ainda diversos projetos emblemáticos, como a eletrificação progressiva da frota, iniciada em 2021, e que permitiu alcançar um patrulhamento 100% elétrico desde 2023; a aquisição integral de energia de origem renovável; e a participação ativa em eventos e iniciativas comunitárias. A implementação e certificação do sistema de gestão de energia ISO 50001 reforça igualmente a nossa capacidade de melhoria contínua nesta área. Estes esforços traduzem o compromisso permanente da Egis com a descarbonização, a inovação e a criação de valor sustentável para a sociedade.

Neste momento crítico que o país atravessa, não podíamos deixar de abordar o tema das tempestades. Tiveram problemas na A24? Existem medidas preventivas excecionais que podem ser tomadas quando se preveem situações climatéricas extremas?

Tal como em todo o país, a A24 também tem sido afetada por condições meteorológicas adversas. A ocorrência de chuvas intensas e ventos fortes — que, à semelhança do que aconteceu noutras regiões, contribuíram para deslizamentos de taludes, quedas de árvores e degradação do pavimento — tem exigido uma atuação contínua no terreno. A estes fenómenos somam-se ainda vários episódios de neve, que têm marcado este inverno.

Embora 2026 esteja a ser um ano particularmente extremo em termos de condições climatéricas, trabalhamos permanentemente para antecipar cenários e reforçar a resiliência da infraestrutura. Ajustamos os meios operacionais de acordo com as previsões e alertas disponíveis, garantindo uma resposta tão eficiente e eficaz quanto possível, com o objetivo de assegurar a segurança e a continuidade do serviço na A24.

Em relação às medidas de rotina, as inspeções são momentos cruciais para assegurar a durabilidade dos ativos e a segurança dos utilizadores. De que forma é que a BETAR se enquadra na vossa estratégia a este nível?

Somos certificados pela norma ISO 55001 – Gestão de Ativos desde 2018, tendo sido pioneiros na sua implementação em Portugal. As inspeções desempenham um papel fundamental no âmbito da gestão de ativos, permitindo identificar precocemente eventuais anomalias, prolongar a vida útil das infraestruturas e reforçar a segurança dos utilizadores.

A Betar é nossa parceira de longa data, assegurando a realização de inspeções periódicas a diversos ativos da A24, nomeadamente às obras de arte. Esta colaboração tem sido essencial para garantir a fiabilidade e a qualidade técnica do nosso processo de gestão de ativos.

A EGIS pretende expandir operação em Portugal ou aumentar a sua área de influência? Quais os desafios para o futuro?

A Egis é uma empresa de engenharia com presença global, atualmente ativa em mais de 100 países. Tirando partido do seu profundo know-how técnico, o Grupo iniciou há vários anos o desenvolvimento de atividades de operação e manutenção de ativos — área em que se tornou uma referência mundial, sendo hoje reconhecido como o maior operador privado de autoestradas a nível global.

Em Portugal, continuamos focados em expandir a presença da Egis, tanto no domínio da operação e manutenção de infraestruturas como no setor da engenharia. A nossa ambição é reforçar a criação de valor para clientes, parceiros e para o país, contribuindo com soluções inovadoras, sustentáveis e de elevada qualidade técnica.

Esta entrevista é parte integrante da revista Artes&Letras #186, de março de 2026

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