15.12.2025

À conversa com a Engª Maria João Lordelo Marques

15.12.2025

À conversa com a Engª Maria João Lordelo Marques

'O nosso trabalho vai muito além da simples manutenção das vias. Envolve garantir a segurança, a disponibilidade e a qualidade do serviço para milhares de utilizadores diariamente'

Fale-nos da sua formação e início do percurso profissional.

Concluí o mestrado em Engenharia Civil em 2009 e iniciei a minha carreira na área de exploração de infraestruturas de abastecimento de água. Posteriormente, tive a oportunidade de integrar projetos de grande escala na supervisão da construção de barragens, colaborando com empresas de referência no setor energético, como EDP e Iberdrola. Essa experiência permitiu-me consolidar competências técnicas e de gestão em obras complexas. Há cerca de seis anos, decidi dar um novo passo e ingressei no setor das infraestruturas rodoviárias, assumindo funções como responsável técnica na Globalvia Transmontana. Há quase três anos, desempenho a função de Diretora Técnica e de Manutenção na Globalvia Portugal, abrangendo as concessões Transmontana e Beira Interior.

Quais as suas principais responsabilidades e os maiores desafios da sua função?

Na Globalvia, a minha principal responsabilidade é garantir a manutenção segura das infraestruturas rodoviárias sob a nossa gestão, assegurando que cumprem os requisitos legais e os padrões de qualidade definidos. Isto envolve a coordenação de planos de manutenção preventiva e corretiva, gestão de contratos, monitorização de desempenho e implementação de soluções inovadoras para otimizar a durabilidade dos ativos.
Um dos maiores desafios é conciliar a necessidade de manter elevados níveis de segurança e conforto para os utilizadores com a gestão eficiente dos recursos disponíveis. Além disso, a evolução tecnológica traz novas oportunidades, mas também exige adaptação rápida — por exemplo, integrar sistemas de monitorização avançados e novas ferramentas digitais, para passar de uma abordagem reativa para uma manutenção preditiva. Outro dos maiores desafios é alinhar intervenções e metodologias com as metas de sustentabilidade.

A Betar tem sido vossa parceira em alguns projetos. De que forma os serviços prestados se enquadram nas necessidades da Globalvia?

A Betar tem desempenhado um papel muito relevante como parceira técnica, especialmente em projetos que exigem soluções inovadoras e análises estruturais avançadas. A colaboração tem permitido integrar conhecimento especializado em engenharia com as necessidades operacionais da Globalvia, garantindo que as intervenções são planeadas e executadas com rigor técnico e alinhadas com os nossos objetivos de segurança, durabilidade e eficiência. Além disso, a Betar tem contribuído com o seu know how, profissionalismo e disponibilidade no acompanhamento detalhado das nossas estruturas, aportando válidas soluções técnicas de engenharia aos problemas mais variados. Esta parceria reforça a nossa capacidade de evoluir para uma gestão cada vez mais inteligente e sustentável das infraestruturas.

Traços gerais, em que consiste o trabalho da Globalvia em Portugal?

A Globalvia em Portugal é responsável pela gestão integral de duas concessões rodoviárias estratégicas: a A4 Transmontana e a A23 – Autoestrada da Beira Interior. O nosso trabalho vai muito além da simples manutenção das vias. Envolve garantir a segurança, a disponibilidade e a qualidade do serviço para milhares de utilizadores diariamente. Isto inclui a conservação preventiva e corretiva, a monitorização, vigilância e patrulhamento contínuo das infraestruturas, e a implementação de soluções inovadoras que aumentem a durabilidade e a eficiência dos ativos. Temos um compromisso forte com a sustentabilidade e a nossa abordagem é cada vez mais orientada para a digitalização, que nos permitem evoluir para uma gestão mais eficiente, garantindo que as infraestruturas respondem aos desafios atuais e futuros.

Quais são os principais desafios e perspetivas para o futuro?

Os principais desafios estão diretamente ligados à evolução do setor e especificamente, nesta fase, com proximidade do fim de alguns contratos de concessão que poderá traduzir-se em novos desafios em Portugal. Indicar que, na nossa atividade diária, temos a responsabilidade e preocupação em garantir uma atividade sustentável, reduzindo o impacto ambiental das nossas operações, tendo em conta por exemplo as metas da descarbonização.
As iniciativas relacionadas com a inovação do negócio e das nossas principais atividades são um dos pilares para o futuro da Globalvia. Procuramos acompanhar as tendências e contribuir para defini-las, mantendo claro que a tecnologia avança a um ritmo acelerado e que acompanhar essa evolução é essencial para garantir competitividade. No entanto, este paradigma exige investimento, adaptação de processos e formação das equipas o que nos leva a outro desafio que é a gestão eficiente dos recursos, para isso, investimos na formação contínua e na criação de um ambiente colaborativo, porque acreditamos que pessoas comprometidas são a chave para transformar desafios em oportunidades.
A Globalvia vê Portugal como um mercado prioritário e está a apostar fortemente na expansão através de aquisições estratégicas. O objetivo será reforçar a sua posição e continuar como um dos principais players no setor das concessões rodoviárias em Portugal.

Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #183, de dezembro de 2025

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