02.01.2025

À conversa com o Engº Luís Garcia Ribeiro

02.01.2025

À conversa com o Engº Luís Garcia Ribeiro

'O desafio diário de planear e produzir uma oferta de qualidade para uma procura galopante (…) prende-se com a capacidade de garantir a confiabilidade e atratividade do sistema de transportes'

Fale-nos um pouco do seu percurso profissional.

Após a licenciatura do I.S.T., o meu percurso teve início numa grande escola na área dos equipamentos de energia, telecomunicações e sistemas industriais (a Efacec), o que me permitiu participar em projetos relevantes, no país e fora, muitas vezes em contacto com grandes empresas internacionais, em empreendimentos multidisciplinares. A minha formação de base em engenharia foi complementada em capítulos da área da gestão e direção de empresas. Tive oportunidade de participar em projetos de referência no Metropolitano de Lisboa e nas fases iniciais dos projetos do Metro de Messina e do Porto. Após sair da Efacec, integrei a equipa de implementação da 1ªfase do Metro Sul do Tejo e, em 2010, a Subconcessionária de Operação e Manutenção do Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto, que se designa desde 2018 como ViaPorto, empresa da área ferroviária do Grupo Barraqueiro.

Quais as maiores responsabilidades e desafios da ViaPorto?

As responsabilidades e desafios devem ser caracterizadas em diversas vertentes nas áreas da Operação e Manutenção. A primeira é a salvaguarda permanente da segurança (safety) das pessoas e dos bens. Para a segurança da circulação concorre a vigilância e manutenção dos ativos das Instalações Fixas e do Material Circulante e o cumprimento dos procedimentos de Operação e Segurança. O desafio diário de planear e produzir uma oferta de qualidade para uma procura galopante (8,7milhões em outubro) encerra uma segunda vertente que se prende com a capacidade de garantir a confiabilidade e atratividade do sistema de transportes. A gestão em tempo real das operações (ferroviária, instalações, redes e serviços associados, apoio ao cliente e da segurança (security)), é indispensável para assegurar o valor do serviço.  A terceira vertente crucial é a manutenção da disponibilidade das Instalações Fixas (infraestruturas, equipamentos e sistemas técnicos) e das frotas de Material Circulante, que deve ser perseguida pelo desenvolvimento das atividades planeadas preditiva e inspetiva ou preventiva, que não dispensam as equipas de intervenção em linha (piquetes), escaladas diariamente. Dispor de recursos nas atividades mencionadas é um dos desafios. No âmbito da gestão de ativos, a ampliação, renovação ou modernização tecnológica em larga escala da rede do metro, compete à Metro do Porto. A quarta vertente inclui os desafios que se prendem com a sustentabilidade. Por um lado, a sustentabilidade financeira, muito dependente do enquadramento da contratação pública, e por outro, a adaptação das boas práticas vigentes na empresa à normalização e reporte ESG. A ViaPorto tem mantido um sistema integrado de gestão da qualidade com certificação nas normas ISO9001, 14001 e 45001. Além das preocupações de conformidade legal, tem tido particular atenção aos temas sociais e de governança, desenvolvendo as suas atividades alinhadas com os fatores de responsabilidade ambiental, social e da ética e cultura empresariais.

O que é mais aliciante nas suas funções?

Na ViaPorto sou responsável pelas Instalações Fixas. Julgo que o maior aliciante da equipa tem sido a capacidade de manter inalterado, ao longo do tempo, o elevado grau de disponibilidade da infraestrutura e equipamentos. Em paralelo, a adaptação futura do paradigma da manutenção à fase de maturidade da rede do metro que se anuncia, constitui novo aliciante. Após 20 anos de exploração intensa, algumas soluções tornaram-se caducas e os fins de ciclo de vida em diferentes materiais, componentes, equipamentos e sistemas, trazem novos desafios. A evolução da tecnologia e as oportunidades oferecidas pela digitalização, a par da necessária renovação da rede em diversas especialidades, obrigam a um novo patamar de equilíbrio de disponibilidade financeira e da gestão do risco operacional, no sentido de manter a sustentabilidade da cadeia de valor e qualidade de serviço.

Têm contado com a Betar para realizar inspeções das Obras de Arte e Túneis. De que forma esta parceria contribui para o desenvolvimento do vosso trabalho?

A Betar tem sido um parceiro importante na atividade da ViaPorto visto que veio adicionar ao nosso trabalho uma visão de especialista com larga experiência, permitido uma coerência de análise e vigilância sobre a evolução do estado da infraestrutura e, por essa via, controlar a exposição ao risco estrutural. Além disso, será de realçar que nos casos problemáticos em que foi solicitado suporte técnico específico à Betar, foi apreciada a sua disponibilidade imediata, a capacidade técnica e o alinhamento de objetivos e prioridades nas soluções encontradas.

Qual a estratégia e objetivos para o futuro?

Os tempos atuais de incerteza tornam a estratégia rapidamente obsoleta e os objetivos voláteis, em especial quando se perseguem cenários muito específicos. Para enfrentar a realidade da mudança permanente, os objetivos passam necessariamente por trabalhar a capacidade de adaptação e a resiliência das empresas. O que se pode dizer quanto a estratégia, é que a ViaPorto pretende continuar a posicionar-se como entidade fiável, segura e responsável, entregando valor nas soluções de mobilidade.

Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #172, de janeiro de 2025

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