À conversa com o Engº Hugo Neves
À conversa com o Engº Hugo Neves
'Moçambique tem um imenso potencial, mas enfrenta desafios significativos. (…) Investimento em infraestruturas básicas (…) são essenciais e podem funcionar como alavancas para atrair mais investimento externo'
Por forma a conhecê-lo melhor, fale-nos do seu percurso profissional até chegar à função que hoje ocupa?
Desde muito jovem que cresci imerso no mundo da construção, rodeado por familiares que atuavam nessa área e que me foram alimentando essa paixão pela construção. Com naturalidade, tornei-me engenheiro civil.
A minha trajetória profissional iniciou na Mota-Engil, onde ingressei através de um programa de estágio promovido pela empresa para recrutamento de recém-formados. Iniciei o meu percurso profissional em Portugal, numa empreitada que me marcou muito, a Reabilitação do túnel do Rossio, que se tornou num marco para mim, desde logo por ser a minha primeira experiência como profissional e também pela complexidade e oportunidade única de estar numa empreitada tão emblemática. Participei em vários projetos em Portugal, quer no setor público quer no privado, e em diversas áreas, o que contribuiu significativamente para a minha experiência e para solidificar conhecimentos.
Em 2010, Portugal atravessava uma crise financeira acentuada e, no final desse ano, surgiu a oportunidade de abraçar um novo desafio internacional, África, onde iria ter oportunidade de trabalhar num ambiente totalmente desafiador e expandir os meus horizontes pessoais e profissionais. E assim começou o meu percurso por Moçambique, com desafios distintos… uma experiência deveras enriquecedora. A evolução na carreira acabou por surgir naturalmente, à medida que fui ganhando experiência fui assumindo também maiores responsabilidades, estando atualmente como Diretor de Produção da Mota-Engil, Sucursal de Moçambique.
Quais são as suas principais responsabilidades e os maiores desafios nesse cargo?
Desafios? Bastantes, mas a gestão e supervisão de projetos em andamento e a definição de estratégias que assegurem a eficiência e rentabilidade, aliados à criação de boas relações com os nossos parceiros e clientes têm sido os principais. Naturalmente, seguindo as diretrizes e objetivos estratégicos da empresa, garantido sempre a conformidade com as normas e regulamentos locais.
Além dos inúmeros desafios peculiares do mercado de Moçambique. Destaco a gestão de recursos humanos, especialmente no que diz respeito à formação e retenção de talento local, que é um ponto crítico para assegurar a sustentabilidade das operações.
O que é que o país precisa para aumentar a competitividade? Consegue perceber quais devem ser as prioridades?
Moçambique tem um imenso potencial, mas também enfrenta desafios significativos que precisam ser superados para aumentar a sua competitividade. Investimento em infraestruturas básicas, como estradas, hospitais, energia, abastecimento de água e saneamento, são essenciais e podem funcionar como alavancas para atrair mais investimento externo. É fundamental promover um crescimento económico sustentável, facilitando o fluxo de bens, serviços e pessoas, e tornando o país mais atrativo para negócios e parcerias internacionais.
Têm optado pela Betar como parceira em alguns projetos. Que características procuram nas empresas que trabalham convosco?
A Betar e a Mota-Engil têm trabalhado conjuntamente em diversos projetos, embora assumindo papeis distintos. Em alguns casos, a Betar atua como fiscalização, ou projetista designado, enquanto em outros colabora diretamente para a Mota-Engil como especialista no desenvolvimento de soluções técnicas.
Num contexto desafiador como é Moçambique, é essencial que os parceiros como a Betar, para além de capacidade técnica, possuam uma visão focada na eficiência, no compromisso com prazos e resultados. A colaboração, disponibilidade, fiabilidade e flexibilidade são atributos imprescindíveis para o sucesso.
Quais as suas perspetivas para o futuro, seu e da empresa?
As minhas perspetivas para o futuro são bastante otimistas, mesmo perante os desafios, tanto a nível pessoal como para a Mota-Engil. Estou confiante de que a empresa continuará a expandir-se e a afirmar-se como uma referência internacional, destacando-se pela excelência e inovação. A Mota-Engil tem demonstrado uma forte capacidade de se adaptar às mudanças e às necessidades dos setores em que opera, sempre com um foco na sustentabilidade e na criação de valor para as comunidades locais.
No que diz respeito ao meu desenvolvimento pessoal, pretendo continuar a investir nas áreas de gestão e liderança, e claro, ligado à Mota-Engil. Estou entusiasmado e comprometido em continuar a crescer dentro da Mota-Engil e contribuir, à minha escala, para enfrentar os atuais e futuros desafios.
Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #170, de novembro de 2024
Notícias & Entrevistas
À conversa com Arq.º Afonso Almeida Fernandes
‘A CAuSA pretende ser uma associação de arquitectos e engenheiros, que têm vontade de ajudar, falta-lhe é tempo e iniciativas’ Ler mais
À conversa com Arq.º Dunga Rebelo
'Trabalhar em Moçambique é estar envolvido em projectos estruturantes e poder ter impacto no desenvolvimento do país. As oportunidades mudam constantemente, obrigam a uma transformação, o que é muito aliciante' Ler mais
À conversa com Arq.º José Laranjeira
‘A ideia de ‘mestre’ é uma coisa que se está a perder porque não há dinâmica para este tipo de relações que se estabeleciam nos ateliers quando eu iniciei a profissão.’ Ler mais
