28.06.2024

À conversa com os Arqº Francisco Pinto Basto e Filipa George

28.06.2024

À conversa com os Arqº Francisco Pinto Basto e Filipa George

“Os projetos são feitos todos em conjunto, desde o conceito, onde prezamos muito a opcionalidade. (…) Um projeto não tem uma solução, tem várias. Aconselhamos a opção que preferimos, mas damos sempre outras”

Falem-nos um pouco do início da carreira e do que vos levou a avançar com a LOA_D.

Francisco: Na faculdade tive professores ótimos como os irmãos Aires Mateus, Carrilho da Graça, Inês Lobo. Depois fiz um estágio no atelier dos arquitetos João de Almeida e Pedro Ferreira Pinto, onde surgiram convites para entrevistas em ateliers internacionais, um era no Brasil e o outro era o do Norman Foster. No dia em que reuni com eles perguntaram-me se queria começar no dia seguinte. Pedi duas semanas para me organizar e mudei-me para Londres, era irrecusável. Foi uma experiência incrível, com projetos de larga escala e pessoas que pensam “fora da caixa”. Fui associado, desenvolvi, entre outros, projetos para vários aeroportos, um deles do início ao fim, que foi o aeroporto do Panamá. Regressei a Portugal em 2017 e abri a Pinto Basto Architecture. Arranjei o meu primeiro cliente, depois outro e outro, até que fiquei sem capacidade para fazer tudo sozinho. Desafiei a Filipa para o projeto de um apartamento de traça antiga na Rua São João da Mata, que correu lindamente, e depois decidimos juntar forças e criámos a LOA_D.
Filipa: Conhecemo-nos em Londres, na Foster + Partners. Eu estive lá 4 anos, depois fui para a KPF (Kohn Pedersen Fox Associates) atelier de Nova Iorque com sucursal em Londres, onde fiz sobretudo escritórios. Estive lá 2 anos e meio e decidi vir para Portugal, para a Broadway Malyan Escritório de Lisboa, onde fui associada e estive à frente de vários projetos de hotelaria, residenciais e interiores. Geri equipas em Madrid e Lisboa e desenvolvi experiência em licenciamentos. Na LOA_D fazemos muitos edifícios residenciais, mas já estamos a começar a fazer escritórios e gostávamos de entrar no turismo e noutros setores. Estamos a fazer um projeto de um loteamento na Avenida Alfredo Bensaúde, com a Betar. Está em concurso e a experiência tem sido ótima. Temos uma parceria oficial com um atelier espanhol, a Ortiz Leon, que é especialista em sustentabilidade, uma área em que queremos entrar em Portugal. Ganhámos, com eles, o concurso da Marina de Vilamoura e todos os projetos que desenvolvemos no atelier são acompanhados de certificações de sustentabilidade, que é um sistema de créditos onde já temos alguma experiência.

Quais as principais diferenças entre o Reino Unido e Portugal?

Francisco: Nós temos arquitetos espetaculares, e muito acima da média, mas em Portugal, muito por culpa da economia, construímos da mesma maneira há 50 anos, as tecnologias avançam mas continua a ser tudo à base de betão e alvenarias, a evolução não foi gigantesca. As pessoas não estão educadas em relação à arquitetura. Em Londres as pessoas percebem o papel do arquiteto e do engenheiro. O mercado em Portugal podia ser mais segmentado e abrangente, mas o nosso sistema é muito complexo, a burocracia atrasa imenso os projetos. Temos um projeto em andamento, mas precisamos de agarrar outro enquanto esperamos pelo licenciamento, depois ele sai e temos de voltar a pegar… Em termos de planeamento é péssimo. O sistema tem de mudar, os arquitetos têm de ter um papel fundamental no processo. Só assim conseguiremos avançar.
Filipa: Agora vamos ter uma transição interessante, com o Simplex. Passámos de ter um controlo e escrutínio máximo aos projetos, por parte das Câmaras Municipais, para uma coisa muito mais liberta, que ainda está em experimentação. Vai ser interessante ver como os ateliers se adaptam, vamos ter muito mais responsabilidades, mas estava a tornar-se insustentável a demora na análise de projeto por parte das Câmaras.

Como é o vosso processo criativo e que perspetivas têm para o futuro do atelier?

Francisco:
Os projetos são feitos todos em conjunto, desde o conceito, onde prezamos muito a opcionalidade. O nosso core é residencial, neste momento, e gostamos de dar várias opções ao cliente para que tenha o melhor projeto possível, dentro daquilo que pretende, porque é ele que vai viver na casa. Um projeto não tem uma solução, tem várias. Aconselhamos a opção que preferimos, mas damos sempre outras. Baseamo-nos nas características do terreno e passamos todos pela fase do conceito, depois envolvemos as especialidades. Apoiamo-nos muito um ao outro para tomar decisões, mas envolvemos muito a equipa também.
Atualmente já temos um bom portfólio, somos 6 pessoas no escritório, o nosso objetivo é consolidar para crescer, sem ser demasiado rápido. Temos vindo a crescer gradualmente, o feedback dos nossos clientes é positivo, temos tido boa aceitação no mercado e pretendemos continuar a fazer bons projetos para ganhar alguma escala, mas acima de tudo dar atenção aos clientes.
Filipa: Foi muito importante termos a experiência internacional, os contactos anteriores e os parceiros. A nossa vida profissional ajudou-nos na fase de implementação do atelier. Tem corrido bem, estamos a aceitar mais projetos e entusiasmados por poder entrar noutros setores. A Marina de Vilamoura vai dar-nos algum destaque, é uma requalificação importante que nos aproxima da expertise do tipo de trabalho que tínhamos dos ateliers grandes onde trabalhámos.

Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #166, de julho de 2024

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