À conversa com o Arq. Rodrigo Vieira da Fonseca
À conversa com o Arq. Rodrigo Vieira da Fonseca
'A AQA (…) é um projeto ambicioso, diferenciador e transformador. […] Queremos ser uma referência na arquitetura, (…) crescer de modo sustentado (…) e deixar um legado para o futuro'
Por forma a conhecê-lo melhor, gostaria que nos contasse como surgiu o gosto pela arquitetura?
Temos de escolher a área que queremos estudar muito cedo e eu na altura, sem grandes certezas, pensei que ia para engenharia. Embora também tivesse uma “veia criativa”, nunca me tinha passado pela cabeça ir para arquitetura. O meu pai que era engenheiro sugeriu então que fosse passar uns dias na empresa de engenharia metalomecânica em que trabalhava, e também num escritório de arquitetura, o INTERGAUP do Nuno Vieira da Fonseca, meu tio, e do Diogo Lima Mayer. Comecei por ir ao INTERGAUP e identifiquei-me logo com aquele ambiente. Em dois dias já tinha decidido que seria aquele o meu futuro profissional, e não cheguei a ir ver a empresa de engenharia.
Foi o melhor começo que podia ter tido, uma vez que desenvolveu trabalho nas mais diversas áreas?
Na altura, quando comecei o curso, o escritório ainda era pequeno, tinha umas 10 pessoas, e como era perto da faculdade, na baixa de Lisboa, eu tinha facilidade em passar por lá. Ia quando queria, sem grande regularidade, e ajudava no que podia, mas foi a forma de começar a ter contacto com a profissão em paralelo com os estudos. Desde muito cedo gostei mais de estar no escritório do que na faculdade e, a partir do segundo ano, estava já regularmente no escritório. O curso passou um pouco para segundo plano, e hoje até me arrependo um pouco de não ter aproveitado mais a vida académica, mas acabou também por ser determinante na minha formação, com a oportunidade de participar nos mais diversos tipos de projetos. O ritmo era elevado e foi uma experiência muito enriquecedora, num escritório que começava a ganhar dimensão muito rapidamente e num excelente ambiente. Só no quinto ano é que me dediquei mais à faculdade, para fazer o projeto final de curso, e então interrompi o meu percurso no INTERGAUP.
Recentemente, foi sócio fundador da AQA – Arquitetos Associados, que resulta da fusão da INTERGAUP e da RMS Arquitetos. O que é que está na base da criação do atelier?
Fiz o meu percurso como arquiteto no INTERGAUP e em 2005 fui convidado para sócio. Em 2019 houve uma mudança societária, tendo entrado para novos sócios o Gonçalo Mayer e o Rui Carvalho, com quem fiquei a liderar o escritório desde então. Em 2025, fizemos a fusão com a RMS, que deu origem à AQA.
E porquê? Eram colegas, amigos, que partilhavam uma visão comum?
Éramos colegas e amigos. Conhecemo-nos no INTERGAUP onde o Rodrigo Machado Soares (da RMS) iniciou a sua carreira. Depois saiu, em 2005, e seguiu o seu percurso profissional até fundar a RMS. De vez em quando encontrávamo-nos e discutíamos as problemáticas da profissão, até que há cerca de um ano, num desses encontros, surgiu uma visão de um projeto comum. A AQA não resulta da simples junção das duas sociedades, é muito mais do que isso, é um projeto ambicioso, diferenciador e transformador no panorama da nossa atividade. Resulta também da consciência que a atividade está a mudar, vivemos a uma velocidade vertiginosa, e a exigência é cada vez maior. Precisávamos de ter uma empresa mais robusta, mais estruturada e organizada, com maior dimensão, que nos traz mais flexibilidade e capacidade de resposta ao cliente. Este é um aspeto. O outro foi ter o foco nos nossos colaboradores, tendo sido criado um sistema de progressão na carreira e incentivos em função de metas a atingir. De certo modo foi trazê-los para o negócio, a partilhar resultados e a pensar um pouco como nós, sócios, mas também a assumirem mais responsabilidade. Queremos criar condições para atrair e reter o talento. Por outro lado, mudámos a forma de organizar a produção. Formámos equipas de trabalho, mais autónomas e unas, responsáveis por um conjunto de projetos e lideradas por um coordenador que organiza e distribui o trabalho dentro da equipa. Este é o primeiro ano do “Projeto AQA” mas tem sido muito recompensador, porque sentimos de facto uma outra atitude e resposta. São grandes transformações, e penso que está a ter um excelente resultado.
Como define a forma de pensar e fazer arquitetura do AQA?
O nosso ADN não mudou, tanto na INTERGAUP, como na RMS, como agora na AQA, o foco sempre foi a resposta ao cliente aliada a uma arquitetura de qualidade. Isso é fundamental, fazer a arquitetura de que gostamos, mas sem pôr em causa os princípios que nos norteiam.
Qual é a sua visão para o futuro?
Pretendemos naturalmente dar continuidade ao projeto AQA. É muito recente, e ainda há muito por fazer. Neste curto período, cerca de seis meses, tivemos de conciliar muitas mudanças com o trabalho do dia-a-dia. Sentimos que estamos no caminho certo, mas é sempre difícil alterar os hábitos. Precisamos de tempo e amadurecer as mudanças. Queremos ser uma referência na arquitetura e, enquanto empresa, com a capacidade de crescer de modo sustentado, de se inovar e autorregenerar, e permitindo deixar um legado para o futuro.
Esta entrevista é parte integrante da Revista Artes & Letras #182, de novembro de 2025
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