À conversa com Arq.º Rodrigo Machado Soares
À conversa com Arq.º Rodrigo Machado Soares
'Queremos afirmar a AQA como uma das principais empresas portuguesas de arquitetura e projeto, pela qualidade, pelo rigor, pela especialização e pela capacidade de criar valor'
Gostaria de começar por lhe pedir para nos falar um pouco do seu percurso profissional.
Formei-me em Arquitetura em 1998 e, ainda como jovem arquiteto, integrei a INTERGAUP, onde trabalhei durante cinco anos. Foi uma experiência determinante, porque me permitiu acompanhar projetos exigentes e compreender a arquitetura não apenas como exercício criativo, mas também como atividade de grande responsabilidade técnica, económica e humana.
Mais tarde, desenvolvi o meu percurso de forma autónoma e, em 2010, fundei a RMS. Ao longo dos anos, a empresa cresceu, diversificou a sua experiência e consolidou relações com clientes e parceiros. A criação da AQA resulta dessa evolução e do reencontro de duas histórias profissionais complementares. A união da RMS com a INTERGAUP permitiu criar uma estrutura com maior escala, mais competências e uma ambição comum para o futuro.
Trata-se de um projeto recente, mas com uma base muito sólida. Como descreve a evolução do atelier neste primeiro ano?
Este primeiro ano foi sobretudo um período de integração e construção. A AQA é uma marca recente, mas reúne décadas de experiência, uma equipa consolidada e um portefólio diversificado.
O principal desafio foi transformar duas empresas com histórias próprias numa única organização, com processos, cultura e objetivos comuns. Temos vindo a reforçar a gestão, a coordenação entre equipas, o controlo da produção e o desenvolvimento de negócio, sem perder a proximidade dos sócios aos projetos e aos clientes.
O balanço é muito positivo. Confirmámos que existia uma base sólida e uma oportunidade real para criar algo novo, mais estruturado e preparado para crescer.
A AQA não resulta apenas da junção das duas sociedades, pretende ser “um projeto diferenciador e transformador”. O que é que procuram em cada projeto?
Procuramos criar valor duradouro para as pessoas, para o cliente e para o território. Isso exige compreender quem vai usar os espaços, interpretar o contexto e responder aos desafios ambientais, sociais, económicos e tecnológicos do presente.
Em cada projeto, começamos por identificar o problema certo. A qualidade arquitetónica é essencial, mas deve estar ligada à funcionalidade, à viabilidade, ao rigor técnico e à capacidade de execução.
Queremos também acompanhar os projetos de forma mais integrada, articulando arquitetura, engenharia, coordenação e gestão de informação, para reduzir riscos e dar ao cliente uma resposta mais completa.
Na apresentação do vosso site é referido que criam “espaço para crescer e fazer crescer arquitetos”. A AQA é também uma “escola” onde toda a equipa é envolvida?
Queremos que a AQA seja um lugar onde se trabalha, mas também onde se aprende, se assume responsabilidade e se cresce. A experiência dos sócios e dos elementos mais seniores só tem valor se for transmitida às novas gerações.
Procuramos envolver as equipas no raciocínio por detrás das decisões, na relação com os clientes e na compreensão global dos projetos. Estamos também a desenvolver critérios mais claros de progressão, avaliação, remuneração e prémios.
A partilha de resultados deve ser sustentável, transparente e ligada ao desempenho coletivo e individual. O crescimento da empresa deve traduzir-se em oportunidades e reconhecimento para quem contribui para ele.
Quais considera que são as principais problemáticas, e o que está a mudar na profissão de arquiteto, e como vê a arquitetura nacional atualmente?
A profissão tornou-se mais complexa. Os projetos são mais exigentes, a regulamentação aumentou, os prazos encurtaram e os clientes estão mais profissionalizados. No entanto, os honorários nem sempre acompanharam essa evolução.
Um dos desafios é demonstrar melhor o valor estratégico da arquitetura. O arquiteto deve participar mais cedo, ajudando a definir programas, testar cenários, avaliar riscos e apoiar decisões de investimento.
A tecnologia está também a transformar a profissão. O BIM e a inteligência artificial não substituem o pensamento arquitetónico, mas alteram processos, competências e formas de coordenação.
A arquitetura portuguesa continua a ter enorme qualidade e reconhecimento. O desafio está em criar estruturas empresariais mais robustas, melhores condições de trabalho, maior especialização e uma presença internacional mais consistente.
O que espera para o futuro da AQA? Existe algum desafio que gostassem de experimentar?
Queremos afirmar a AQA como uma das principais empresas portuguesas de arquitetura e projeto, pela qualidade, pelo rigor, pela especialização e pela capacidade de criar valor.
Pretendemos crescer de forma sustentável, participar em projetos de maior escala e complexidade, diversificar setores e reforçar a presença internacional. Queremos também evoluir para uma oferta mais integrada, aproximando arquitetura, engenharia e coordenação.
Um desafio particularmente interessante seria participar desde o início num projeto de grande impacto territorial, contribuindo não apenas para o desenho dos edifícios, mas também para o programa, a estratégia e a relação entre investimento, território e comunidade.
Internamente, queremos que a AQA seja uma plataforma de crescimento para pessoas, competências e futuras parcerias.
Esta entrevista é parte integrante da revista Artes&Letras #192, de setembro de 2026
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